Na Natureza Selvagem

Dentre as inúmeras possibilidades de vitória, poucos são os corajosos que fazem a opção de não competir. O mundo moderno exige que entremos e vençamos cada disputa. Penso que nossa sociedade se enveredou por um caminho arriscado: o da eterna busca pelo primeiro lugar. Pior! Acreditamos que todos podemos ser vencedores, o que é uma grande mentira. A questão é matemática. Se há vencedores, logo precisa-se de perdedores. Simples. Não há espaço apenas para os que ganham. Consequência: fomos preparados, apenas, para a vitória. Pior: quem optou por não disputar nada é tido como um perdedor. A opção de não ganhar não é uma opção para nossa modernidade.

Antes de qualquer coisa, quero aqui apontar que não sou contra a competição, afinal, como diria Dr House: se não existisse competição, ainda seríamos organismos unicelulares. Mas o que me incomoda é esta nossa busca incansável pelo primeiro lugar. Esta fórmula tem fabricado inúmeros desastres na subjetividade humana, pois estamos cada vez menos preparados para lidar com as perdas e frustrações. O que fazer com a derrota? Temos o direito de optar pela não competição. O direito de optar por uma vida diferente de tudo o que existe aqui, tudo que é padrão. A opção de inventar uma nova maneira de viver, uma jeito diferente, afinal a maior competição de nossa época é a que travamos contra nós mesmos. Nossa guerra é espiritual. Nossa guerra é contra o mediano, pois como disse Hermann Hesse: “Não existe nada tão mau, selvagem e cruel, na natureza, quanto os homens normais.”

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Tiago Pontes é Psicólogo formado pela Universidade Metodista de São Paulo, despertou o interesse pela Psicologia após descobrir a filosofia. Em seus questionamentos existenciais, deparou-se com autores como Freud, Nietzsche, Schopenhauer, Lacan, Heidegger, entre outros que o levaram a busca pelo entendimento da alma humana.

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